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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Uma economia que custa caro

Mais que uma necessidade para a preservação do planeta, o controle da poluição do ar já se configura como uma questão de saúde pública. É cada vez maior a faixa da população que tem na poluição o gatilho que dispara problemas respiratórios e manifestações alérgicas as mais diversas. Em uma cidade do porte de Guarulhos, inserida na maior região metropolitana do País, já é tempo de começarmos a pensar em políticas públicas que ajudem a amenizar o problema.
Segundo os especialistas, a maior fonte poluidora do ar são as emissões veiculares. Nesse aspecto, o controle mais significativo dessa poluição se dá pelo cumprimento das normas nacionais para a fabricação de veículos cada dia mais eficientes. No caso da nossa vizinha São Paulo, que possui a maior frota de carros do País, a cidade já adota o rodízio de veículos e um programa de inspeção para reduzir a poluição em todo o seu sistema de transporte.
No entanto, não há registro de nenhum controle específico sobre a emissão de poluição por parte dos grupos geradores de energia movidos a diesel. Com um parque industrial tão amplo e grande número de empresas nos setores de comércio e serviços, Guarulhos pode dar o exemplo para São Paulo e toda a região metropolitana iniciando um programa de controle dessas emissões.
Hoje, a autoprodução energética é adotada por indústrias, comércios, redes hoteleiras, hospitais, shoppings centers, hipermercados e condomínios, entre outros grandes consumidores que recorrem a geradores como forma de reduzir a conta da energia elétrica nos horários de pico (das 17h às 20h), quando as tarifas são mais caras.
O problema dessa economia financeira é o alto custo ambiental: os geradores a diesel constituem uma fonte considerável de poluição atmosférica. Recente estudo da engenheira Márcia Aparecida Tezan Moraes Barros, que pesquisou o tema no Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, os geradores emitem os mesmos poluentes dos motores de veículos a diesel, inclusive os de maior impacto na qualidade do ar, como óxidos de nitrogênio, óxidos de enxofre, dióxido de carbono, monóxido de carbono e material particulado.
Está na hora de nos preocuparmos em minorar essas emissões, seja pela substituição do diesel por um combustível limpo, seja pela exigência de adequação dos equipamentos às novas tecnologias, já adotadas pela indústria automobilística mundial.
Assim como a poluição não respeita fronteiras, as políticas públicas voltadas ao meio ambiente e à sustentabilidade – principalmente quando dizem respeito à saúde das pessoas - também não podem ser delineadas de maneira isolada. Eis aí uma iniciativa que pode e deve ser adotada por todas as cidades que compõem a região metropolitana de São Paulo.

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